O concelho é um bom mostruário de paisagem minhota temperada por elementos transmontanos. A sua fertilidade é notável, colhendo-se muito milho, algum trigo, algum centeio. Mas a produção emblemática é o vinho verde, de excelente qualidade. Verde tinto de cor carregada e sabor adstringente, que vai bem com os pratos de carne da gastronomia local. E verde branco, mais vivo e espirituoso, para acompanhar pratos mais leves ou mesmo só para matar a sede numa tarde de verão. Por algum motivo as armas da vila são quatro cachos de uvas... Por falar em gastronomia, essa é uma das mais ricas ofertas do concelho. O caldo de castanhas pode ser uma boa proposta para iniciar a refeição; mas há-de vir depois qualquer coisa como uma vitela assada (e as carnes de Celorico de Basto têm uma qualidade excepcional), ou um cabrito no forno, ou, mais modestos e populares mas não menos saborosos, o feijão vermelho com hortaliça ou os famosos milhos ricos com carnes variadas. Pode rematar-se com pão-de-ló ou cavacas. O vinho - verde, claro.

As Terras de Basto, é sabido, são um alfobre de nobreza. Celorico de Basto não constitui excepção. Atestam-no numerosos solares, alguns deles peças arquitectónicas notáveis, remontando ao séc. XVII e até antes. Na freguesia de Arnóia, é digno de nota o Castelo, fortaleza roqueira de pequena dimensão, mas alcandorado no alto de um monte de feitio cónico de onde se desfruta uma estupenda vista panorâmica de 360º. Consiste numa torre quadrangular erigida num recinto poligonal cercado de muralhas. É-lhe atribuída uma datação próxima do séc. XI, mas no mesmo local existiu uma fortificação anterior, porventura um castro.

Uma boa ocasião para visitar a região de Celorico de Basto é qualquer das inúmeras festas e romarias que se realizam, virtualmente em todas as aldeias, nos meses de verão. É ali que mais autêntica e fidedignamente se retrata a alma do povo, dividida entre o religioso e o pagão, rezando e penitenciando-se, mas também comendo, bebendo, negociando e jogando o pau.