O concelho lembra em certos aspectos serranos Trás-os-Montes, mas é na verdade uma antecâmara do Minho verdejante: veja-se o fertilíssimo Vale de Cabeceiras, com quase 20 quilómetros de comprimento e uns 8 de largura. A produção principal é o vinho verde, mas o milho, a oliveira e o castanheiro marcam presença forte, assim como a criação de gado, sobretudo bovino e caprino. Abundam, neste rincão aristocrático, as casas senhoriais brasonadas, às vezes ameadas, o que lhes dá um ar de fortaleza. São casas de traça estimável, algumas recobertas de trepadeiras ou cercadas de jardins com camélias.

Cabeceiras de Basto é vila muito antiga, com foral de D. Manuel I. A região foi habitada desde épocas pré-históricas, de que restam alguns castros e antas. Um outro testemunho evoca os tempos pré-romanos: uma escultura de granito, representando toscamente um guerreiro com seu escudo circular, colocado como monumento no centro da vila. O povo, no seu gosto de fantasiar, chama-lhe "O Basto" e atribui-lhe a fundação da vila. O monumento de maior expressão do concelho é o Mosteiro de Refojos, em pleno centro da vila. Terá sido fundado no séc. XII por monges beneditinos, mas o séc. XVII alterou-o radicalmente, dando-lhe a imponente volumetria actual. Na povoação de Arco de Baúlhe, que foi términus da Linha Ferroviária do Tâmega, conserva-se ainda, na estação entretanto desactivada, um interessante Núcleo Museológico do Caminho de Ferro. As manifestações de carácter etnográfico mantêm vitalidade. As festas, feiras e romarias têm alguma coisa das suas congéneres do Minho: a alegria, a religiosidade, a comensalidade, mas também para os ajustes de contas. Vem a propósito referir a festa de São Bartolomeu, a 24 de Agosto, na freguesia de Cavez, famosa pela cura das endemoninhadas, onde tradicionalmente havia grandes desacatos entre a população minhota e a trasmontana que a famosa ponte sobre o Tâmega dividia. Na freguesia de Bucos, muito isolada e típica, subsiste uma Escola de Jogo do Pau, um dos mais tradicionais desportos das gentes de Basto. Na mesma freguesia resiste também uma apreciado artesanato da lã (cobertores, meias, capuchas, etc).